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Ventania

In two days tomorrow will be yesterday.



Quinta-feira, 30.04.09

A Recusa

Confesso, a pele que adivinho arrepiar-se quando outras palavras te foram dedicadas, a incerteza em que rejubilavas, as hipóteses suspensas, ainda reavivam uma doce mágoa, que só tem lugar num pretérito sempre imperfeito. É uma mágoa leve, que só pesa na gravidade invertida. Pesam-me mais os teus sorrisos de que não tenho como recordar mas que a outros sorrisos foram feitos verdades, das que não se esquecem. Podiam pesar as tuas libertações, rebeldias assumidas com a sensibilidade que querias fingir estar longe, por não vires aqui grafar dores. Mas também estas não pesam, antes me apaziguam as certezas de quem és, a bravura que encontras em ti. Aqui não tenho dores para te oferecer, nem bálsamos para as tuas feridas. Já me terás ouvido dizer que as pessoas não são pensos rápidos. Tenho para ti, só para ti, tudo quanto de mim queiras se o souberes querer.


É que a ausência que outro coração lamentou é a presença que espero, que aguardo sem contar os tempos porque os tempos de nada valem. Até ensinar o caminho do conformismo a este, que não desiste de pulsar, por tanto acreditar que é junto ao teu que vai fazer brotar uma Primavera só nossa. Até que chegue o dia, que não vai chegar, em que as mãos deixem de esperar pela procura e se contentem com a não fuga.


Não poderei ser o teu primeiro amor. E não chego a lamentá-lo.


Talvez fosse imperativo ousar um sentimento inédito, invejar. Mas quase soa a corrupção e o meu sentimento é impoluto e vivo, não saberia como ceder. A idílica bolha cheia de sonhos ou uma aproximação falhada à pista de aterragem da realidade?, pergunto sem me deter nas razões. Recuso as tentativas, recuso os limites, prazos de validade e condicionalismos. Quero dizer-te para não deixares de sonhar, antecipando que me respondas que não é comigo que sonhas. Ainda assim, quero dizer-te que não desistas dos sonhos. Eu também não desisto dos meus. E é neste peito transbordante e convicto que deixo a promessa gravada.

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por Ventania às 21:23

Segunda-feira, 27.04.09

F.A.

Fustigados por desamores e espinhos q.b., ele era receios sem fim, ela destemida de asas abertas. Renderam-se ambos, deram-se as mãos, decisões, trocaram corações. Ela vontade de ir, ele ansiedade de chegar. Ele águas e ondas, ela ventos e montes. Gostaram-se. Do outro e mais de cada um nos reflexos do outro. Descobertas, reticências, ternuras e cedências. Laços dum, amarras doutro.


Um de estar, outro de vagabundear. Um de nuvens, outro de mar. Um de efémero, outro de brutal. Um de neve, outro de areal. Um de fiel, outro de planar. Um de leis, outro das quebrar.


Ela insistia que o sonho cheirava a flores e ervas, ele sem forças para correr nos bosques. Ele de braços abertos, ela de punhos cerrados. Ela de olhos postos, ele de pés fincados.


Ela do norte, ele do sul. Se ela chorava, ele a abraçava. Se ela beijava, ele a desejava. Se ele esmorecia, ela o elevava.


Um a puxar, o outro a deixar estar. Ele a dormir, ela a sonhar. Ele a sorrir, ela a cantar. Equilibravam-se num ponto médio, longe do centro gravítico do ser. Ele mentia, ela sabia. Ela fugia, ele permitia.


Ele desertou. Ela libertou.


Não se pode voar quando as asas estão acorrentadas. É dia de celebrar a liberdade.


 

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por Ventania às 14:38

Domingo, 26.04.09

as eternidades já se acabaram


Estórias, muitas, por essas faces mais ou menos anónimas fora. Mas as nossas são mais reais, doeram mais, porque a pele e o sangue derramado no chão e por entre os livros eram nossos, do nosso vermelho-paixão. A profundidade de cada soluço capaz de despegar qualquer vislumbre de alegria do peito. Do avesso. Olhamos para ontem e nada ficou no sítio, a realidade trocou lugar com um universo paralelo em que as eternidades já se acabaram.


 




…e só então estremecem as certezas que tinha.





 


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por Ventania às 00:01

Sábado, 25.04.09

Choose Love - Rita Redshoes





I choose to hide


But I look for you all the time

I choose to run

But I'm begging for you to come

I wanna break

But I know that you can take

I stay a while

To be sure that you're by my side

Oh, oh



Don't look at me, just look inside

'Cause I can go through

Tell me, are you goin' tired

Of what I don't do

I wanna see, I wanna fight

'Cause I don't feel scared

Honey, if you care



I choose to find

Things that you left behind

I choose to stare

But I can take you anywhere


I wanna stay

But my soul leaves you anyway

Can close the door

And love, could you give me more



Don't look at me, just look inside

'Cause I can go through

Tell me, are you goin' tired

Of what I don't do

I wanna see, I wanna fight

'Cause I don't feel scared

Honey, if you care



Choose love, choose love, love

Choose love, choose love, oh



Don't wanna hear, I wanna fight

'Cause this time I won't be wrong


And I can waste this precious time

Asking where do I belong

So let me know your love is real

'Cause this time you won't control

Tell me please, what do you feel

Do I have to save your soul



Choose love, choose love, love

Choose love, choose love

Choose love, choose love, love

Choose love, choose love

Choose love, choose love, love

Choose love, choose love

Choose love, choose love, love

Choose love, choose love

Choose love, choose love, love

Choose love, choose love

Choose love, choose love, love

Choose love, choose love

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por Ventania às 10:43

Sábado, 25.04.09

Hoje É Abril!

Coração meu, coração mil.


 


 


"Carnation Splash" by Ginger Pena. Varnished Watercolor on Clayboard, 7x5"

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por Ventania às 10:33

Terça-feira, 21.04.09

Abracinhos e beijinhos!

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por Ventania às 10:21

Segunda-feira, 20.04.09

Breve história dum abraço à beira-chuva

Desejo-te perto e vens buscar-me, levas-me de urgência escadas abaixo para contemplar o rio à beira-chuva. Descalços, ambos, por relvas e troncos e pardais. Sensualidade molhada de seios e umbigo, arrepios, do frio e da proximidade da tua pele. Não sorris, sequer vocalizas o que quer que seja. Os teus dois olhos escurecidos, carregados de verdade. Pegas-me nos pulsos e olhas-me de frente como se me fosses anunciar um fim de mundo. Sério, grave. Os lábios entreabrem-se como que a desenhar palavras no ar, como que a tomar coragem. Toda eu um ponto de interrogação, exclamação, reticências… O cabelo molhado, sem ordem, a enganar. Um fingido cansaço desarma e a respiração acelera. Pingos grossos acariciam a cara, lambem os ombros, deslizam matreiros pelas costas. A névoa que sempre separa os meus olhos dos teus dissipa-se num bafo. Procuro ler-te, ansiosa por pular para dentro dum sonho. Murmuras: “E se disser que gosto de ti?” Conheço bem esta espiral, que sempre impões diante de mim, sem portas nem refúgios, apenas o infinito, aberto, à espera de ser colhido. “Quando o pensamento de mim te siga a todas as horas, quando souberes que a vontade é maior do que só a de ter o casulo do ego acarinhado; Quando reconheceres muito mais que uma doce empatia. Quando sob pálpebras cerradas o coração chamar o meu nome. Só nesse dia voltarás a ter-me tua.”


Solto uma mão e com um polegar afago a tua face desmascarada. Apertas-me contra o peito, não te importas de confessar uma lágrima, espessa, outra. Carinho, dor, amor, identidade. Estes que somos.


Por te amar, mudei. E decidi tornar a amar só quando esse dia chegar. Naquele abraço permanecemos, sem tempo, enquanto a chuva molhar.

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por Ventania às 05:50

Domingo, 19.04.09

Waiting - a synesthetic approach

 


"Nothing fixes a thing so intensely in the memory as the wish to forget it." — Michel de Montaigne


 


take a look if you want to know more about synesthesia

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por Ventania às 11:11

Domingo, 19.04.09

o tempo não volta para trás

Há quem não desista.


Há quem acredite no amor à primeira-vista.


Há quem consiga encontrar agulhas em palheiros.





E tu? Em que acreditas?


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por Ventania às 00:32

Sábado, 18.04.09

dias

Há dias em que as lágrimas se soltam com a delicadeza duma chuvada diluviana em meados de Julho. E é só isto.

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por Ventania às 11:27

Sexta-feira, 17.04.09

Come Away With Me - Norah Jones

 



 


Come away with me in the night 


Come away with me 

And I will write you a song 




Come away with me on a bus 

Come away where they can't tempt us 

With their lies 



I want to walk with you 

On a cloudy day 

In fields where the yellow grass grows knee-high 

So won't you try to come 



Come away with me and we'll kiss 

On a mountaintop 

Come away with me 

And I'll never stop loving you 



And I want to wake up with the rain 

Falling on a tin roof 

While I'm safe there in your arms 

So all I ask is for you 

To come away with me in the night 

Come away with me 

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por Ventania às 05:05

Quinta-feira, 16.04.09

Eu quero!


Fotografia de José Marques  

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por Ventania às 04:09

Quarta-feira, 15.04.09

Away

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por Ventania às 16:47

Sábado, 11.04.09

...

Eu sei que dói... Não posso dizer que sei como sofres, não sei. Só sei como eu sofro. E dói. Não queria que tivesse acontecido assim, a minha mágoa réplica da tua, o meu vazio eco do teu. Torna tudo mais difícil. Não podemos reescrever o que já foi. Mas podemos encarar os dias que se seguem com sorrisos e confianças. Sabes que as forças não me faltam, descubro sempre um recanto onde as encontro luminosas. É uma luz que está cá dentro, que procura a tua, que a acha mesmo se a escondes. Aperta a minha mão, não te vou largar...

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por Ventania às 10:52

Sexta-feira, 10.04.09

Amália Hoje - Gaivota (by The Gift)

 



(não me canso de ouvir...)

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por Ventania às 19:23

Sexta-feira, 10.04.09

...

Esta noite sonhei contigo. Com o teu calor, com o teu abraço, com os teus beijos perfeitos.

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por Ventania às 12:44

Terça-feira, 07.04.09

balanço

Custa.


Custa-me quando tenho razão e custa-me pensar nisso. Custa também evitar pensar, que é quando penso mais e ali fico estagnada. Detesto que tudo aconteça como planeado. Quem planeou? Adivinhava-o, mas adorava estar errada. A previsibilidade embaça-me e tira-me o apetite. Os escapes condicionados. Nada poderá repetir-se, pois não? Ou é mesmo isso que se passa e por nada mais se passar empalideço?


 




Preciso duma surpresa. Daquelas boas, com risos e arrepios.



 


Sim, é um pedido.

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por Ventania às 19:51

Segunda-feira, 06.04.09

Para Ti - Mia Couto

Foi para ti

que desfolhei a chuva

para ti soltei o perfume da terra

toquei no nada

e para ti foi tudo



Para ti criei todas as palavras

e todas me faltaram

no minuto em que talhei

o sabor do sempre



Para ti dei voz

às minhas mãos

abri os gomos do tempo

assaltei o mundo

e pensei que tudo estava em nós

nesse doce engano

de tudo sermos donos

sem nada termos

simplesmente porque era de noite

e não dormíamos

eu descia em teu peito

para me procurar

e antes que a escuridão

nos cingisse a cintura

ficávamos nos olhos

vivendo de um só

amando de uma só vida



Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

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por Ventania às 16:23

Sexta-feira, 03.04.09

...

A Maggie pediu-me para fazer uma "bucket list". Achei que, da bucket list mental que mantenho desde sempre, podia encontrar 8 sonhos (não apenas pequenas tarefas) que pudesse partilhar aqui. E aproveito para sorrir ao constatar que já consegui riscar alguns dos 'big ones'.


 


Cá vai disto, sem ordem nem lei, que o caos tem mais encanto:


 


- muitas, imensas viagens que ainda faltam; nomeadamente ao Espaço.


- ter experiências paranormais (credíveis e sem contar com OVNIs, que já vi);


- viver uma temporada on the wild, longe da civilização; viver exclusivamente de e para a Natureza; provavelmente com uma tribo indígena algures na América do Sul;


- explorar ao máximo o meu elemento, o Ar (pilotar um avião, voar a velocidade supersónica, voar de helicóptero, fazer queda livrepára-quedismo, asa delta, balonismo...);


- sentir que contribuo activamente para um mundo mais justo, mais belo, melhor;


- ter tempo para fazer uma panóplia de cursos (de línguas, fotografia, pintura, escrita criativa...); editar um livro;


- ver no espelho alguém em quem não encontro defeitos;


- encontrar-me com ele, aqui, neste lugar, sem amarras nem limites, completa e incondicionalmente.








 





 


 

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por Ventania às 22:42


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