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Ventania

In two days tomorrow will be yesterday.



Terça-feira, 26.04.11

Instinto maternal

 

Nunca tive o "sonho" que muitas mulheres têm de ser mãe. Nem me passava pela cabeça durante muuuuito tempo. No dia em que a possibilidade foi real, borrada de medo até às orelhas, decidi que se houvesse embrião, ia deixá-lo crescer e o facto de não ser desejado nem entrava na equação. Não havia embrião. Ufff!

Quando me perguntam se não gosto de crianças, digo que prefiro leitão. ;) Não tenho nada contra as criancinhas em si, só contra alguns pais. Dispenso bem a chinfrineira das birras de sono e os gritinhos histéricos, é um facto. Acho que vou ser a pior mãe do mundo, não lido bem com a ideia de ter uma pessoinha completamente dependente de mim para tudo e tenho a certeza de ir falhar demasiadas vezes. E sou egoísta, não me estou a ver a abdicar de certas coisas só porque "o menino é pequenino para viagens tão grandes". Acho escandaloso pedirem-me mais de 20€ por pedacinhos minúsculos de tecido, acho horríveis as papas de guisados que se deve dar aos pequenos (se fosse suposto comerem vitela, teriam dentes, certo?) e tenho asco severo à baba e ao vómito (cocó e chi-chi é-me perfeitamente indiferente, afinal lido diariamente com eles). Quando me cai um (bebé) no colo, até lhes acho piada (sobretudo porque assim que começa o berreiro são devolvidos a quem lhes fez as orelhas) e adoro ser tia honorária de dois pilinhas. Mas simplesmente não me vejo (tão cedo, anyway) no papel de mãe, doce, calma, protectora, preocupada com os germes, produtora de leite... It's not me.

Posto isto... Dou por mim, no metro, no meio dum monte de mulheres embevecidas com uma criancinha particularmente simpática e engraçada. Sorriem para a mãe da criança, para a criança, lançam olhares cúmplices entre elas, como se fizessem parte duma qualquer irmandade que percebesse que algo que os restantes mortais não alcançam, um segredo qualquer. Grave: eu sou uma delas. Deve ser a meia-idade que se aproxima (?), ou pelo menos uma crise de identidade...

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Resumindo: quem sabe, um dia destes encomenda-se um par de gémeos.

 

 

 

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por Ventania às 08:47


4 comentários

De Araparigadolencovermelho a 26.04.2011 às 11:12

O texto que eu gostaria de ter escrito... IDENTIFICO-ME =)

De Ventania a 26.04.2011 às 22:37

Contradições da vida de mulheres adultas no Séc. XXI... ;)

De Claudia a 26.04.2011 às 12:28

Ora aqui esta um texto que nunca escrevi, mas que ja pensei demasiadas vezes. 'As vezes apetecia-me ser mais igual 'as minhas amigas que ja tem todas, ou quase todas, filhos, mas nao, nao sou. O meu instito maternal anda, decididamente, em parte incerta. 'As vezes tambem dou por mim a sorrir para criancas e para as respectivas maes, mas para ja, la em casa, so nos os dois. Ate ver...

Beijinhos :)
Claudia

De Ventania a 26.04.2011 às 22:44

Conheço bem esse sentimento de diferença face aos pares, a pressão de amigos e família, os colegas a olharem para ti de lado quando dizes "ainda não penso nisso" e a invariável retaliação "mas olha que já estás n'A idade..." A maternidade pode ser o melhor do mundo, não contesto, mas é irreversível, e (na minha opinião) não deve ser encarada como uma inevitabilidade nem obrigação. Se chegar o dia, que seja vivido em pleno (vontade, capacidade); se não chegar, não somos menos pessoas por isso. :)


Beijinhos!

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