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Ventania

In two days tomorrow will be yesterday.



Sexta-feira, 08.07.11

Amo-te versus Adoro-te

A Pipoca de Saltos Altos deu o mote, a gente responde aquilo que tem a certeza que é verdade dentro do íntimo.

De cada um dos outros, bem... Nunca se pode saber o que se passa dentro da cabeça dos outros.

 

São palavras, e arrisco dizer sentimentos, completamente diferentes. Faz-me comichão a banalização do "amo-te" entre os miúdos de hoje, que dizem "amo-te" uns aos outros, entre amigos, sem o menor pudor. Temo que estejam a diminuir o próprio sentimento.

 

Se é verdade que o amor assume muitas formas (amor fraterno, amizade, por aí fora), também é verdade que ainda não conseguimos arranjar um lexema que melhor retrate O Amor, aquele Amor que nos deixa K.O., por que cometemos as maiores loucuras, que nos leva a todos os extremos e que nos apazigua de tal forma as dores e as carências que pensamos estar perante um complemento que a vida toda faltou e que, quando é encontrado, nos leva aos píncaros da felicidade. Já lhe chamei "síndrome peça no puzzle" por não saber dizer melhor. E é por este sentimento ser tão especial, tão raro quando é pleno e incondicional, que lhe temos vindo a reservar a palavra. Que, digo eu, não deve ser esbanjada. É uma palavra que só faz sentido dizer-se quase em jeito de confissão, nem sempre olhos nos olhos, até porque se diz "amo-te" sem sequer o verbalizar e o amor nunca esteve preso a barreiras físicas.

 

Não, não é a mesma coisa. Eu gosto muito de vinho tinto e queijo, e gosto muito da Sandra e do Miguel. Eu adoro viajar, adoro escrever e pintar, e adoro a minha avó. Mas adorar é um sugar a felicidade do momento, da companhia, duma acção, é contemplação. Adora-se um quadro, uma música, ou comer caracóis. Adora-se quando a admiração por alguém é extrema, mas só adorar não significa aquela chama do "fogo que arde sem se ver". É um problema de expressão indeed, como diriam os Clã. A palavra amor não chega para traduzir em verbo o calor que se sente na alma, todas as palavras são insuficientes e cada uma delas parece supérflua.

 

Dizer "adoro-te" ou dizer "amo-te" é como comparar um convite para passar um fim-de-semana fora, ou a vida toda ao lado de alguém. Ambos podem ser muito bons, mas a escala é de todo diferente. Se há ainda quem pense de outra forma, é puxar pela memória. Toda a gente se lembra da primeira vez que lhe disseram "amo-te" ou que o disseram a alguém. Alguém se lembra da primeira vez em que se soltou o "adoro-te"? Comparem os sentimentos implícitos. Ou então ao contrário. Experimentem, quando estiverem com a pessoa mais-que-tudo, abracem-n@ e digam "amo-te" ou "adoro-te" conforme o que parecer mais certo para o momento, e a seguir pensem no que aconteceu. =)

 

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por Ventania às 10:41


8 comentários

De Beagle a 08.07.2011 às 14:46

Banalizou-se tanta coisa que esta é apenas mais uma.
Um simples beijo na boca com o sentimento de arrepio na espinha, passou-se também para o lado do provar. Como se tivessemos a provar um copo de vinho tinto numa qualquer tasca de aldeia.
Da mesma forma, o amo-te tem que vir de dentro e tem que estar no final de uma série de etapas que, muitas vezes, não queremos/conseguimos ultrapassar.
Hoje, gostamos todos de começar as casas pelo telhado!
Mais uma vez, \"adorei\" ler-te.
Beijocas

De Ventania a 09.07.2011 às 10:58

:) Vivemos num mundo cheio de pressa. Pressa para chegar a algum lado, para ter uma relação, para atingir depressa as certezas e se for caso, partir para outra. Mas nem tudo é linear...


Beijinho, repenicado e sem pressas, na bochecha esquerda. ;)

De Segredos!!! a 08.07.2011 às 15:21


Concordo inteiramente! Agora estou a lembrar-me da primeira vez que me disseram "amo-te" e nem sequer foi olhos nos olhos, mas ainda me lembro das borboletas na barriga!

Beijinhos***

De Ventania a 09.07.2011 às 11:30

:) É dos melhores sentimentos do mundo! Beijinho!

De Phoebe a 08.07.2011 às 17:25


Querida Ventania,
Tão verdade. Há palavras de Abracadabra que encerram tanta energia, são arcanas, elevam-nos e aos outros. Senti-las é algo sublime, dizê-las dignificar a entrega, resguardando-as sem mácula.
Um beijinho.

De Ventania a 09.07.2011 às 11:31

E como nos deixamos encantar pela magia... :)
Beijinho.

De Pipoca Dos Saltos Altos a 11.07.2011 às 16:29

Lembro-me de todas as circunstâncias em que disse amo-te, adoro-te não sei contar, foram tantas...todos os dias digo aos meus amigos que os adoro. Os meus pais e irmão amo incondicionalmente, já nasci a amá-los, mas as outras pessoas a quem possa dizer "amo-te" fui eu quem as escolheu para amar. Amo-as por opção. Beijinhos

De Ventania a 31.08.2011 às 16:29

Fiquei a pensar no teu "amar por opção". Nunca fui capaz disso, nem do contrário. E o jeito que teria dado ao longo da vida... ;)

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