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Ventania

In two days tomorrow will be yesterday.


Terça-feira, 03.02.15

O que se passou desde 2012?

Deixei de fazer fretes, estou mais respeitadora do meu tempo (que escasseia) e da minha energia. Estou mais feliz com a vida e comigo. De resto, não houve mudanças particularmente estruturantes. Continuo um bicho-do-mato e tão introvertida as can be. Ainda tenho esta mania de misturar línguas diferentes na mesma frase. Não tenho filhos, não tenho bichos, não tenho carro nem bicicleta. E horror a corridas e maratonas que tais. Gosto de alguns blogues (são poucos) mas acho que a blogosfera perdeu qualidades nos últimos tempos. Não sou melhor (nem pior) do que ninguém, mas ainda sou arrogante muitas vezes. Continuo a ser preconceituosa económica e politicamente. Não faço o que mais gostava de fazer, mas até gosto do meu trabalho (já não é o mesmo de há dois anos e picos). Sou, desde sempre, e cada vez com mais afinco, de paixões (ou serão amores?) tão distintas como cravadas na minha identidade. Não tenho uma vida perfeita e cor-de-rosa nem sou sempre estupidamente feliz. Não sou a pessoa tolerante e calma que gostava de ser, mas tenho melhorado alguma coisa. Não tenho metade da saúde que merecia ter, mas aprendi a viver com as minhas limitações e quase nunca me queixo. Já sofri horrores (horrores!) por desamor e ainda me lembro, mas estou a aprender a ser amada por quem merece o meu amor. Ainda gosto de aventuras e de manhãs e de mudanças e de comboios e de aviões. Não gosto de ricos (o tal preconceito) mas adorava ser rica só para fazer alguma justiça e ocupar o meu tempo quando e onde me apetecesse, só com as coisas que me fazem feliz. O que me faz feliz é viajar, aprender, fotografar e sorrir. E escrever, às vezes. Ainda.

 

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por Ventania às 21:48

Segunda-feira, 16.01.12

Inverno

Está frio cá dentro de mim. Os pássaros recolhem, as flores caíram, o branco toma conta do tempo. Do ontem, do amanhã e depois. Doem os ossos encolhidos, a pele áspera arde. A geada. Está escuro neste inverno de mim. Ainda cheira a lenha queimada, as brasas abandonadas persistem na memória e queimam...

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por Ventania às 09:18

Sábado, 19.03.11

...

Mesmo quando se arrepende, a Maria vai dizendo coisas importantes que eu também podia dizer, não fosse ouvir-me e achar que este disco está riscado, gasto e se calhar nem era assim tão má ideia fazer o salto por cima da K7 e dedicar-me apenas aos mp3.

 

"As relações entre as pessoas podem medir-se, entre outras coisas, pelo nível de comprometimento, pelos afectos e pela ternura, pelos pequenos gestos nos grandes momentos, pela cumplicidade e pela memória do que se viveu ou não viveu e pelo tempo. As relações entre as pessoas também se aferem pelo tempo.

Até porque, convenhamos, se um dia tem vinte e quatro horas e vinte e quatro horas representam mil quatrocentos e quarenta minutos, facilmente se infere quão displicentes podem ser uns míseros dez minutos. Dez minutos. Mais coisa menos coisa, já ao cair do dia, já depois de tudo feito, em jeito de deixa-me cá tratar disto. O tempo que se leva a chegar a casa e o bastante para se cumprirem os mínimos olímpicos.

Tudo bem. As pessoas são livres de gerir o tempo que têm da forma que melhor entendem. Sem prestar contas a quem quer que seja ou constrangimentos de maior. As pessoas podem tudo. Só não podem é esperar que os que têm vinte e quatro horas para dar se contentem e conformem com aqueles dez minutos, dez míseros minutos. O tempo que se leva a chegar a casa e o bastante para se cumprirem os mínimos olímpicos."

 

 

 

 

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por Ventania às 18:24

Terça-feira, 08.02.11

O Amor e o Capitalismo - dos pequenos aos grandes prazeres (by Bagaço Amarelo)

Para quem não percebe porque é que é mais importante passar um bocado ao lado da pessoa que é o nosso mundo do que dormir mais uma hora, ou estudar mais uma hora, ou ver a segunda-parte dum jogo de futebol.

 

"Não aceito que se fale dos pequenos prazeres da vida quando se fala de Amor. O adjectivo "pequeno" devia estar proibido por lei, nesse contexto, de qualificar a palavra "prazer". É por causa dele que todos achamos que um passeio ao domingo junto ao mar com quem mais amamos, um jantar na sua companhia ou um copo de vinho ao fim da noite são pequenos prazeres. Não são. São grandes prazeres, talvez os maiores. Mas, por causa dessa mania de lhes chamar pequenos, acabamos por não lhes dar o devido valor. Sorrimos um pouco, como quem sorri porque está aproveitar um pouco do que a vida lhe pode dar, e nem percebemos que estamos a aproveitar muito.
Chamar pequeno a um prazer de Amor é chamar pequenos a nós mesmos. É estar lá sem de facto estar, como se o Amor não fosse mais do que uma boleia que apanhamos de alguém. Talvez a culpa seja do capitalismo, esse monstro chantagista que passa os dias a ameaçar-nos de fome e sede, e nos faz pensar apenas num emprego, numa fonte de rendimento que nos permita aguentar a sôfrega maratona da vida. Mas a vida não devia ser só essa maratona que percorremos desde o nascimento até à morte. Devia ser um imenso prazer.
Se não acabarmos com o capitalismo será ele a acabar connosco. Qualquer dia só nos podemos apaixonar se tivermos crédito no banco para isso, porque é para aí que esta merda tende. Sem nos apercebermos já temos que pagar por recursos naturais que deviam ser de todos, e ainda por cima achamos isso normal. Pagamos pela água, por exemplo, que quem não pode pagar também não pode ter. Qualquer dia é assim com o Amor, e só nos poderemos apaixonar mediante comprovativo do banco. Até lá, ou até invertermos esta forma legal de roubar a vida de cada um, que se chama capitalismo, chamemos aos prazeres isso mesmo: Prazeres. Sem o "pequeno" atrás.
"

 

 

 

 

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por Ventania às 11:36

Segunda-feira, 03.01.11

or off.

"In three words I can sum up everything I’ve learned about life: it goes on." Robert Frost

 

 

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por Ventania às 10:17

Sexta-feira, 17.12.10

When do you know it’s really over?

Eu soube que era realmente o fim, quando o obriguei a passar por cima da cobardia de me comunicar via messenger e lhe disse, de cabeça erguida, que não era pessoa para tolerar uma dispensa assim, a seco – era o que mais faltava! Se depois de quase cinco anos de namoro sólido, depois de todas as promessas, depois de ter posto o joelho no chão e me ter feito uma pergunta em plano b, e depois de andarmos durante meses a fio a ver apartamentos e depois de na segunda-feira dessa mesma semana termos feito a reserva do apartamento que queríamos e era perfeito ele pensou que podia simplesmente enviar umas frases no messenger a dizer que tinha acordado e foi para a praia pensar e que afinal não, não era aquilo que queria, estava redondamente enganado. Se foi olhos nos olhos o primeiro beijo, num quarto de hospital em que a família toda podia entrar a qualquer momento, o fim merece pelo menos ser também olhos nos olhos. Não entendi, pedi razões, que ele não deu. Não porque não. Ele não tinha razões para acabar aquela peça de teatro, mas também não havia grandes razões para continuar e quando percebi isso concordei e até agradeci,  porque não sabia, não sei ainda, desistir e se não o fizerem por mim eu continuo a nadar contra a maré ad eternum. Soube que aquele era realmente o fim porque aceitei, porque no fundo fazia sentido. Soube que era realmente o fim porque antes dele me ir buscar à faculdade tinha dado uma aula das melhores, com toda a calma do mundo e sem pensar na reviravolta que a minha vida estava a dar enquanto fazia perguntas inspiradas e os alunos defendiam os trabalhos, porque no fim uma aluna me dizia que eu era das melhores professoras que tinham tido aquele ano e eu sorria com a constatação de que são as surpresas que nos fazem avançar. Soube que era o fim porque durante a conversa não houve lágrimas, só uma calma estrondosa, porque ainda fomos jantar e encontrámos no caminho o rapaz que me fez hesitar cinco anos antes, que me empurrou o baloiço madrugada dentro naquele verão de surpresas sem fim e que eu, como ele, fiz por ignorar porque já tinha conhecido outra pessoa. Soube que era o fim porque falámos de coisas concretas, desapaixonadas e insípidas, como quem falava com a imobiliária, tem de se cancelar a conta conjunta, os meus livros, os teus filmes, o conjunto de barbecue, fica lá com o conjunto de barbecue, sempre foste mais dado a churrascadas com o clã. Soube que era definitivo quando ele parou o carro e eu lhe dei um beijo de despedida e esperei até entrar em casa para deixar as lágrimas correrem pelo ponto final que era o ralo.

Os finais têm sempre beijos de despedida. Quando não os há fica o espaço em aberto a aguardar o desfecho.

 

 

 

 

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por Ventania às 09:51

Quinta-feira, 09.12.10

...

Realmente, ter o tempo livre de repente multiplicado por 200, faz toda a diferença.

 

 

 

 

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por Ventania às 10:31

Segunda-feira, 29.11.10

...

 

 

 

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por Ventania às 00:12

Domingo, 22.08.10

234 dias, ou 5.616 horas, ou 336.960 minutos, ou 20.217.600 segundos

Dizem que sim. Toda a gente diz que sim.
Porque é que não funciona comigo?

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por Ventania às 23:35

Segunda-feira, 19.07.10

...

E aquele pessoal que pede ajuda ou favores e no fim se esquece de agradecer?... Grrrrrr!

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por Ventania às 16:14

Terça-feira, 23.03.10

...

Podia ligar-te, para te ouvir a voz. Podia ficar escondida perto das escadas para te ver passar. Podia enviar-te como se por acidente um e-mail ou sms. Podia esbarrar em ti em tantas ocasiões. Podia inventar mil artimanhas para te fazer preocupar comigo, para te obrigar a pensar em mim. Podia dedicar-te músicas na rádio que ouves, podia colocar fotografias nossas em placards. Podia insinuar-me, podia tentar-te, podia pedir-te ajuda. Podia deixar-te recados por toda a parte, aqui, ali... Podia devolver-te um postal rasgado num envelope sem remetente, podia nesse envelope escrever o que quisesse. Podia perguntar por ti aos teus amigos. Podia espantar-te. Podia fazer-te chegar as novidades de mim, as decisões que tomei. Podia fazer passar um avião por cima da tua casa a implorar a tua atenção e o teu amor. Podia fazer-te sentir culpado. Podia suscitar a tua pena ou o remorso. Podia não evitar cruzar-me contigo, podia expôr-me para que soubesses sempre onde encontrar-me, podia estar acessível como sempre tinha estado. Podia muito mais. Poder, podia. Seria fácil, corriqueiro até. Mas não procuro saídas fáceis, não quero a tua atenção se não for genuína nem sentimentos de substituição aos que mereço. Recuso, como recusei os beijos falsos, lembras-te? Não quero nada de ti, se não for de verdade. Nem os pedidos de desculpas. Nem os pontos finais.

 

 

 

 

 



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por Ventania às 21:30

Segunda-feira, 08.03.10

o atraso

Estou 10 anos atrasada, diz-me. Que tudo o que sinto deveria ter sentido quando era adolescente, que agora custa muito mais, é mais difícil. Que já devia ter lidado com este tipo de sentimentos, que já devia ter chorado tudo antes, que já devia ter calos no coração que ainda está tenrinho. Que tanta paixão não é para digerir-se em idade adulta.

Já suspeitava que algumas coisas em mim estivessem ao contrário. Na adolescência as paixões eram muitas e fáceis. Qualquer livro, fotografia, canção me apaixonavam irreversivelmente. Aos rapazes, ligava pouco. Já então sabia exactamente o que queria e nenhum deles se qualificava. Claro que este era um fantástico pretexto sob o qual me escudar da falta de interesse que despontava neles.

Atrasada ou não... É um campo magnético regido por magia ou espírito, quiçá. É o que é. Fatalidade talvez.

 


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por Ventania às 14:43


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